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Caros amigos,

 

Perante um poema publicado por Chico César, a EpiBrasil entrou em contato com sua assessoria, enviando a carta abaixo, com o pedido de uma retratação pública pelo preconceito demonstrado em suas palavras. Contudo, há mais de uma semana estamos no silêncio.
Chico César, cadê você?

 

Vejam a Carta:

 

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE EPILEPSIA

Vespasiano - MG, 20 de junho de 2014.


Exmo. Sr. Francisco César Gonçalves – “Chico César”, 

Secretário de Estado da Cultura da Paraíba,

João Pessoa - PB

 

Prezado Sr. Francisco César,


Com nossos cordiais cumprimentos, vimos, em nome de 4 milhões de pessoas com epilepsia no Brasil, comentar seu poema, criado por ocasião da abertura da Copa do Mundo, no dia 12 de junho.
Em que pese sua intenção, legítima e louvável, de defender a autoridade máxima do país, a Presidente Dilma Roussef, a parte de seu poema que faz referências aos “epilépticos”:

 

"os vaiantes em seu estertor espamódico
mostram-se esquizofrênicos e epilépticos morais
espumando com suas bocas tortas na tv
suas barrigas
suas chapinhas
seus stick lips para manter brilhante o botox labial” ....

 

é ofensiva, preconceituosa e desqualificadora para este enorme contingente de brasileiros.
Para seu conhecimento, informamos que a epilepsia é uma doença não contagiosa, caracterizada por crises epilépticas repetidas. Ela se manifesta em pessoas de todas as idades, sendo mais frequente entre crianças e idosos, por serem mais vulneráveis a infecções, acidentes e doenças, cujas complicações podem causar crises epilépticas. A epilepsia é agravada pela pobreza, devido à precariedade do sistema de saúde e à grande incidência de doenças infecciosas nas camadas mais pobres da população. A maior parte das pessoas com epilepsia, mesmo tendo qualificação profissional, está fora do mercado formal de trabalho, devido ao estigma e ao preconceito que são as principais barreiras para que possam exercitar seus direitos humanos e a integração social. Os “epilépticos”, que para nós são “pessoas com epilepsia” estão em sua maioria, abandonadas pelo poder público: não há políticas públicas para atenção à saúde destas pessoas e tampouco para sua integração social.
Surpreende-nos, que um artista de seu porte, músico de alta qualificação, compositor, jornalista formado por uma Universidade Federal, ex-diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa, com vivências em países desenvolvidos, que ocupa o cargo de Secretário de Estado, tenha posição tão preconceituosa e tão triste, não só em relação às pessoas com epilepsia, mas também em relação àqueles que têm a infelicidade de padecer de uma doença mental tão avassaladora, como é a esquizofrenia, e que acomete outros tantos milhões de brasileiros.
Assim, vimos convidá-lo, como homem público que é, a modificar seus conceitos e suas atitudes em relação aos fatos supra-mencionados e integrar-se como colaborador, ao movimento nacional da epilepsia. Nosso trabalho consiste basicamente em combater o estigma e o preconceito que cercam os pacientes, levar à sociedade informações corretas sobre a doença e orientar sobre tratamentos adequados, proporcionando assim melhoria na qualidade de vida destas pessoas. Atuamos também junto ao poder público, nas três esferas, com o objetivo de garantir atenção integral à saúde destas pessoas.
Na certeza de que o Sr. Fará uma reflexão sobre estes fatos, e quiçá, uma retratação pública, agradecemos sua atenção e subscrevemo-nos,


Cordialmente,


Maria Carolina Doretto
Presidente da EPIBRASIL – Federação Brasileira de Epilepsia
Contatos: 31- 3622-8140 / 9718-4508
http://www.epilepsianet.blogspot.com.br/

Quem somos

A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e afeta todas as idades, raças e classes sociais. Impõe um peso grande nas áreas psicológica, física, social e econômica, revelando dificuldades não só individuais, mas também familiares, escolares e sociais, especialmente devido ao desconhecimento, crenças, medo e estigma.

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