Notícias

Por: Daniele Martini

Edição: Rodrigo Cunha

Revisão: Li Li Min

 

A epilepsia não é uma doença com causa específica, mas sim o resultado de uma anomalia nas funções cerebrais, que pode ser causada por inúmeras síndromes e processos patológicos diferentes. Quando não tratada, pode levar à morte, e por isso, torna-se necessário que o diagnóstico seja realizado precocemente, apontando, assim, a causa das crises e o tratamento adequado para cada tipo de epilepsia. Seu tratamento é relativamente fácil e barato, desde que seja acompanhado por profissionais capacitados.

A epilepsia é caracterizada por crises epilépticas repetidas e não é contagiosa. Assim, podemos distinguir dois tipos fundamentais de crises (ou ataques) epilépticas: as "generalizadas", envolvendo todo o cérebro, e as "parciais", em que a disfunção se limita a uma área cerebral.

As crises parciais podem subdividir-se em "simples" e "complexas". As "simples", nas quais não há alteração da consciência, consistem de convulsões de um membro ou parte do mesmo, ou de sensações de formigueiros percorrendo um membro e sensações abdominais. Nas "complexas", há alteração do estado de consciência, o doente apresenta-se confuso ou faz gestos automáticos de mastigação ou continua a desempenhar a tarefa que estava a executar automaticamente; outras vezes, esses "automatismos" consistem em esfregar as mãos, deambular (andar sem rumo), mexer sem nexo na roupa e manipular indevidamente os objetos.

O diagnóstico da epilepsia não se baseia em exames complementares, mas sim na história clínica relatada pelo próprio paciente e por seu cuidador. É necessário que as informações sobre a crise sejam detalhadas, como a parte do corpo que foi afetada, o tempo de duração, o período do dia em que ocorreu a crise e quantas vezes por dia ocorreu.

Os exames complementares mais utilizados para o auxílio diagnóstico são: 1- o eletroencefalograma, que mede, através de eletrodos posicionados no couro cabeludo do paciente a sua atividade cerebral; 2- a tomografia computadorizada, método de imagem que utiliza raios-X para captação de imagens de estruturas crânio-encefálicas, em que o paciente deita-se sobre uma superfície e é movido para o interior de um tomógrafo; 3- a ressonância magnética, procedimento particularmente útil nos distúrbios cerebrais e neurológicos, pois pode mostrar claramente vários tipos de tecidos nervosos e fornece imagens claras do tronco cerebral e do cérebro posterior, que são de difícil visualização em uma tomografia computorizada, sendo um procedimento não invasivo que pode avaliar o fluxo sanguíneo, podendo distinguir tumores ou outras lesões dos tecidos normais; 4- a ressonância funcional, método de neuroimagem funcional capaz de detectar alterações localizadas do fluxo sanguíneo cerebral relativos a uma determinada função, seguida do mapeamento tridimensional dessa função no cérebro.

O tratamento preferencial para epilepsia é o medicamentoso, pois tem como principal objetivo bloquear as crises, e, com isso, espera-se que o paciente tenha uma qualidade de vida dentro da normalidade. O uso de drogas anticonvulsivas é eficaz em 70% a 80% dos casos. O Ministério da Saúde repassa recursos para estados e municípios para aquisição dos medicamentos.

Quando o medicamento se torna ineficaz para esses pacientes, o tratamento indicado é o cirúrgico. Dependendo do tipo de epilepsia, a cirurgia pode ser bem sucedida em até 80% dos pacientes. A cirurgia só é realizada se a epilepsia for localizada (focal), ou seja, quando apenas uma área específica do cérebro for afetada, não sendo realizada quando a doença é generalizada no cérebro (multifocal), ou seja, quando os dois hemisférios cerebrais são afetados.

O tratamento cirúrgico das crises parciais consiste na remoção do foco epilético. Nas crises generalizadas, o tratamento é paliativo e consiste em bloquear a propagação da crise, uma vez que não existe um foco bem definido que possa ser removido. Os médicos só optam pela cirurgia quando a expectativa de benefícios supera a dos riscos. Não há uma idade determinada (mínima ou máxima) para realizar a cirurgia, e a tendência é operar precocemente.

Existem outras alternativas de tratamento. Uma delas (para as crianças) é a dieta cetogênica, uma dieta rica em gorduras, com quantidades reduzidas de açúcares e proteínas, calculadas de acordo com a idade e peso do paciente. Um por cento dos pacientes submetidos ao tratamento têm suas crises controladas, e um terço apresenta uma melhora significativa. Outro tipo de tratamento é o estimulador do nervo vago, uma espécie de marcapasso implantado no paciente, com a função de diminuir a hiperexcitação dos neurônios, pois durante as crises, ocorre uma atividade intensa e sincronizada dos neurônios.

Existem centros apropriados para o diagnóstico e o tratamento da epilepsia, com uma equipe multidisciplinar, que inclui neurologistas, enfermeiros e psicólogos. Esses centros também atendem os casos que necessitam de cirurgia. No Brasil, existem sete centros credenciados (seis na região sul e sudeste) para o tratamento cirúrgico de epilepsia apoiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quem somos

A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e afeta todas as idades, raças e classes sociais. Impõe um peso grande nas áreas psicológica, física, social e econômica, revelando dificuldades não só individuais, mas também familiares, escolares e sociais, especialmente devido ao desconhecimento, crenças, medo e estigma.

SAIBA MAIS!